Acidente Vascular Cerebral

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    Qua, 04 de Novembro de 2009
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Conhecido popularmente como "derrame cerebral", o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a terceira causa de morte em vários países do mundo e a principal causa de incapacitação física e mental.

O AVC implica em um comprometimento súbito da função cerebral causado por inúmeras alterações histopatológicas que envolvem um ou vários vasos sanguíneos intracranianos ou extracranianos. Aproximadamente 80% dos AVC são causados por um baixo fluxo sanguíneo cerebral (isquemia) e outros 20% por hemorragias tanto intraparenquimatosas como subaracnoídeas. O grande problema em relação aos AVC não se encontra apenas na mortalidade, mas também na incapacitação que impõe ao indivíduo como dificuldades motoras envolvendo desde a locomoção até a fala.

O acidente vascular cerebral é uma doença caracterizada pelo início agudo de um déficit neurológico (diminuição da função) que persiste por pelo menos 24 horas, refletindo envolvimento focal do sistema nervoso central como resultado de um distúrbio na circulação cerebral; este déficit neurológico começa abruptamente, geralmente alcançando seu máximo no início, podendo regredir ao longo do tempo.

O AVC pode se dar de duas formas: isquêmico ou hemorrágico. O acidente vascular isquêmico consiste na oclusão de um vaso sangüíneo que interrompe o fluxo de sangue a uma região específica do cérebro, interferindo com as funções neurológicas dependentes daquela região afetada, produzindo uma sintomatologia ou déficits característicos.

No acidente vascular hemorrágico existe hemorragia (sangramento) local, com outros fatores complicadores, como ao aumento da pressão intracraniana ou ao edema cerebral, levando a sintomas nem sempre focais.  Neste caso pode ocorrer extravasamento de sangue para dentro do cérebro (hemorragia intracerebral) ou para o lado de fora, entre o cérebro e a aracnóide, ocasionando a hemorragia subaracnóidea. A aracnóide é uma das membranas (meninges) que protegem o encéfalo, juntamente com a dura-máter e a pia-máter. Embora não exista espaço entre a dura-máter e a aracnóide, se os vasos sanguíneos que passam através da dura-máter forem rompidos, o sangue pode coletar-se formando um hematoma subdural.

Tanto o vazamento para fora do cérebro quanto o intracerebral podem ocorrer por crise hipertensiva, ou por uma alteração sangüínea em que ocorra muita dificuldade de realizar a coagulação normal, como hemofilia, diminuição de plaquetas e algumas doenças reumáticas. Uma má-formação congênita de um vaso como no caso de um aneurisma cerebral, por exemplo, também pode levar à hemorragia subaracnóidea. Já a hemorragia intracerebral também pode ser causada por doenças como Angiopatia amilóide (mais comum em pessoas idosas). Esta é uma condição caracterizada por depósitos de proteína amilóide nas paredes das artérias cerebrais, o que aumenta o risco de sangramento no cérebro.

As alterações decorrentes do AVC dependerão das estruturas afetadas e da gravidade e extensão das lesões (Abrisqueta-Gomez & Santos, 2006). As isquemias, entretanto, mais freqüentes que as hemorragias, tendem a apresentar um padrão lateralizado, com um lado mais afetado, com afasias em lesões à esquerda, com hemiplegia e prejuízos visuo-espaciais, além de negligência e lesões à direita (Lezak, 1995). A ocorrência de prejuízos secundários no período agudo pós-AVC (confusão mental, dificuldade de evocação de memórias, depressão) pode acarretar comprometimentos difusos, assim como nos casos de AVC hemorrágico, em que os déficits observados tendem a ser mais variados, sem um padrão neuropsicológico definido. Ou seja, os prejuízos dependerão da área afetada e do tipo de lesão sofrida pelo paciente.

Vários fatores de risco são descritos e estão comprovados na origem do acidente vascular cerebral, entre eles: a hipertensão arterial, obesidade, doença cardíaca, diabete, tabagismo, hiperlipidemia (concentrações elevadas de gorduras no sangue) e cardiopatia. Outros fatores podem ser o uso contínuo de anticoncepcionais orais antigos, álcool ou outras doenças que acarretem aumento da capacidade de coagulação do indivíduo.

 

Mariana Wandalsen Martins
Neuropsicóloga, profa. do IBNeuro

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